domingo, 28 de agosto de 2011

Desabafo de um insano num fim de domingo




         Hoje parei e pensei: do que adianta ser bonito?
    Sim é verdade, mesmo neste mundo extremamente estético, com esteriótipos complexamente formados pela sociedade, ainda existe algum insano que pensa se tudo isso vale a pena: eu. E este mesmo conclui que não, não adiantaria de nada ser bonito, se para isso tivesse que abdicar de boa parte dos meus princípios, uma vez que eu deveria seguir a cartilha de moda, beleza e gosto que me outorgam.
        E diga-se de passagem, princípios sempre foi algo que me motivou a viver e respeitar a opinião dos outros (até porque fui educado nos moldes: antes de ler o livro que o guru lhe deu você tem que escrever o seu). Mas se os mesmos fossem padronizados, como peças em processos produtivos, já não seriam mais princípios, seriam produtos e sendo assim, não haveriam diferenciações, todos seriamos iguais.
       Mas ao que parece a sociedade quer mesmo que isso aconteça, até porque qualquer ação que fuja do comum e da normalidade é tida como loucura, e seu praticante é taxado de bizarro, escroto, ou seja, um excêntrico.
       Agora, o que mais me intriga é porque não se pode existir diversos centros, afinal de contas algo que deveria ser intrínseco da pessoa, individual de cada um, vem cada dia mais sendo melhor modelado, fazendo assim o esteriótipo de beleza estar intimamente ligado ao estilo de vida do ser, ou seja, um estilo modal.
      Enfim, para a minha decepção, concluo que só ajudo para a concretização desse quadro sócio-cultural, porque se a unanimidade é burra, eu dou reais condições para quem criou tudo isso ser um gênio.

Vinicius Gestinari

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

As Poderosas Mídias Sociais


       Intrigante e patético, esta é a descrição do poder das redes sociais. Antes de mais nada, se você ao ler a afirmação anterior se perguntou: quem é esse bocózinho atrasado que não tuita, ou tem uma conta no “face”? Fique tranquilo, pois eu sou um assíduo usuário de tais ferramentas, porém não deixo de questionar sua utilidade.
       Inicialmente, o que me causa certa estranheza é porque em 140 dígitos (ou caracteres como preferir) eu me sinto tão poderoso e dono da verdade, se tudo que eu escrevi não passa de mais uma opinião no meio de um monte de outras, todas jogadas ao leu, sem que interfiram em praticamente nada?
Até hoje o que pode ser ressaltado de interessante nessas febres ciber-sociais é que nelas pessoas de cunho publico, como artistas, jogadores e jornalistas têm um meio mais próximo de se comunicar com seus fãs, ou melhor, seus seguidores. Um bom exemplo é o tuitaço referente à declaração de Sandy sobre sexo anal, que digamos, foi de uma inutilidade tremenda. Pelo menos ela se promoveu, e a vida continua. Como está a Bovespa mesmo? Ah ninguém postou isso no twitter.
       Para não dizer que neste terreno se encontra apenas lixo, houve um evento muito interessante promovido no facebook, que foi uma manifestação de rua (até que enfim alguém lutou fora do mundo virtual!) contra a elite de Higienópolis, elite essa que vetou a construção de uma estação de metrô na nobilíssima Av. Angélica. Até agora não ouvi nenhuma ação governamental sobre o assunto, porém o ato da passeata deve ser louvado por ser a favor de uma causa social.

      Entretanto, tudo isso apenas evidencia a característica patética dessas mídias cibernéticas, uma vez que sua opinião se mistura com as de milhões de pessoas e não interfere na rotina de ninguém, uma vez que ao mostrar seu ponto de vista você imagina que existam milhões de pessoas lendo-o, enquanto que na realidade quem está tomando conhecimento de seus ideais são apenas seus amigos, os mesmos que passam horas com você conversando em um bar e já conhecem sua opinião de cabo a rabo.
      Eu sei que você está pensando que sua opinião está nos TT's WorldWide(os tópicos mais debatidos na rede). Mas... e daí? Alguém se feriu mais do que já estava ferido ao pedir a saída de Ricardo Teixeira da CBF? Pior ainda é cair em si e perceber que nenhum boliviano deixará de ser escravizado se você “xingar muito no twitter” mas continuar comprando roupas das empresas que usam dessa mão -de -obra.
      Além do mais algumas horas depois esses Trending Topics vão ser trocados por tópicos tão importantes quanto esses de causa social, como #PeLanzaNosTeAmamos, ou alguma coisa sobre a novela.
Por tudo isso é patético! Praticamente nada é aproveitado para algo que realmente possa mudar nossas vidas. Estas ferramentas apenas se confirmam como mais um meio de controle de opinião da grande mídia, afinal de contas seu ponto de vista está ali postado e não move moinhos, moinhos esses cujos donos sabem perfeitamente o que rola no mundo cibernético.

P.S.: enquanto este texto foi escrito, um boliviano deve ter costurado pelo menos umas 3 mudas de roupas


Vinicius Gestinari

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lennon ou McCartney?


        Nos últimos anos, a carência de ídolos no rock n’ roll anda muito grande. Antigamente, tínhamos muitas duplas que satisfaziam essa posição de heróis como Mick Jagger e Keith Richards (que continuam na ativa até hoje), Jimmy Page e Robert Plant, John Lennon e Paul McCartney, dentre outros. Esses pequenos “grupos”, que muitas vezes representavam a banda inteira, quase sempre botavam em cheque a credibilidade dos fãs, quando eram questionados quem preferiam. Porém, para uma dessas “pequenas bandas” é quase impossível de se responder qual é o melhor: Lennon ou McCartney?
      Com o passar do tempo, vemos que a ausência de Lennon é muito sentida tanto musicalmente quanto politicamente falando. Suas letras nos passavam mensagens de auto-estima, de acreditar naquilo que é quase impossível tanto no mundo atual quanto no mundo da época, o que faz com que suas canções sobrevivam até hoje. Apesar de não ser um músico muito talentoso, sua precariedade como musicista era compensada na sua poesia, que era uma das armas do movimento hippie.
       Porém, ao mesmo tempo em que a ausência de Lennon era sentida, McCartney provou ser um grande músico e compositor. Sem a presença de seu grande parceiro, Paul foi capaz de se renovar musicalmente lançando, por exemplo, projetos de música eletrônica, como The Fireman, que foi muito elogiado pela crítica, sem contar nos sucessos de vendagem que o ex-Beatle obteve com os discos da banda The Wings, o que provou a qualidade do ex-baixista do quarteto de Liverpool.
Além disso, Paul provou que consegue ser uma espécie de John Lennon. Na canção Let Me Roll It (lançada em 1974 no disco Band On The Run de Paul McCartney & Wings), McCartney nos mostra que é capaz de fazer uma canção arrastada e recheada de riffs como as de Lennon. Na música, escrita pelo ex-baixista em resposta à composição de Lennon chamada How Do You Sleep? (lançada em 1971 no disco Imagine de John Lennon), Paul exibe toda sua capacidade colocando refrões com corais e versos falados, características típicas de John.
A grande verdade é que não podemos apontar nenhum dos dois músicos como melhor, as qualidades que faltavam em um sobravam no outro, o que fazia com que os dois se completassem de uma maneira inexplicável. O que podemos dizer a respeito de qual é o melhor vem de dentro de nós, uma opinião pessoal que musicalmente falando não pode ser explicado. Os Lennistas sempre terão bons argumentos para dizer que John era melhor e os McCartneycistas também saberão defender Paul de maneira magnífica, causando um debate que nunca terá um vencedor. E você, quem prefere: John ou Paul, hein?


Caio Alvares

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sociedade, onde está o seu bigode?


           

           Nunca subestime o poder de um bigode, ele já representou o compromisso, a palavra em um acordo de cavalheiros, ou seja, a responsabilidade sobre os próprios atos, algo que assustadoramente falta na nossa atual sociedade.
            Para quem ainda não entendeu o que escrevi acima, vou explicar minha indagação inicial. Há diversos anos existia um costume, um tanto quanto peculiar, de que ao fechar-se um acordo entre cavalheiros, para garantir sua palavra, os homens comprometiam um fio de seu vasto bigode. Isto valia muito mais do que qualquer garantia que hoje utilizamos, como casas, penhores e coisas do tipo. Aquele simples fio de bigode representava a honra de seu dono em um acordo.
         Acho que estou me complicando demais ou ficando démodée. Talvez ninguém mais saiba o que é honra, infelizmente. Deve ser por isso que não exista uma vivalma que se orgulhe de suas opiniões e que nunca se comprometa com o que dissera anteriormente. Esse papo de “não foi bem isso que eu disse” é no mínimo vergonhoso, principalmente nos casos em que o dito tenha sido muito bem explicado nas conversas iniciais. Simplesmente é ou não é.
            Fica claro que nos dias de hoje, o ser humano esqueceu o seu bem mais precioso, que é ele mesmo, para valorizar bens materiais. Não que eles não sejam importantes, porém o que ficará para posteridade não será seu carro importado ou sua conta bancaria, mas sim a memória de você ter sido alguém que morreu com sua honra intacta.
             Bom, vamos esquecer isso, não tem mais valor mesmo, ninguém mais liga para essa baboseira, pra que eu preciso me valorizar? Além do mais, deve ter gente que dá muito mais valor ao seu iPhone do que a seu próprio círculo de amizades. Sem contar que esses amigos devem valorizar esse ser pelo seu iPhone e não pelo que ele realmente é. Uma pena, nem se conhecem realmente.
Por isso clamo para que a sociedade cultive novamente seus bigodes, porque enquanto a palavra não tiver mais seu valor, não haverá alguém que se importe com seus atos, e assim não mais será possível viver, apenas ter.  

Vinicius Gestinari

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Intróito

                

                Se John Lennon dissesse haver composto sua primeira canção para milhões de pessoas ouvirem é coisa de que admira, o que não nos deixaria surpresos é que este blog não tivesse como leitores 100 desses ouvintes de Lennon, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito... dez.  Dez, talvez nem isso, quem dirá cinco. Cinco! Cinco é um bom número. Trata-se apenas da verdade de um blog forte, que talvez não lhe agrade, no qual nós (Eu, Caio Alvares, e meu grande brother Vinicius Gestinari) diremos aquilo que pensamos a respeito de determinado assunto, seja ele qual for. Talvez nossa opinião no texto fique oculta, talvez explicita, não sabemos, apenas o tempo e os textos saberão responder isso, mas o que devemos confessar é que o nosso intuito é fazer você, caro leitor, pensar.
                Mas, ainda assim, nós esperamos conseguir vossas simpatias, e o primeiro remédio para obtermos isso é fugir de um intróito longo. O melhor intróito é aquele que contém menos coisas, ou aquele que as diz de forma obscura e incompleta. O blog por si mesmo é tudo: se lhe agradar, fino leitor, pagamo-nos da tarefa; se não lhe agradar, pagar-lhe-emos com um pé nas nádegas, e passar bem.

Caio Alvares